
O pacote de medidas legislativas a serem propostas pelo Ministério da Justiça deverá incluir também um aumento no rol de crimes passíveis de arbitragem de fiança. Atualmente, pessoas que tenham cometido crimes com penas máximas de até quatro anos podem ser libertadas por um delegado mediante pagamento a ser estipulado. Alexandre de Moraes quer que crimes sem violência, mesmo com penas maiores que quatro anos, possam ser fiançáveis. “Assim, a autoridade policial poderia conceder a fiança em crimes que hoje ela não pode, principalmente em crimes patrimoniais, e com possibilidade de revisão imediata por um juiz”, explica. Ele citou o exemplo de São Paulo, que solta 77% dos presos por furto na audiência de custódia. “Por que não permitir que o delegado faça isso 24 horas antes? Não podemos mais tratar crimes extremamente leves com a mesma burocracia e aparato que damos aos delitos do crime organizado”. A alteração poderia passa a beneficiar pessoas flagradas no chamado tráfico privilegiado, réus primários presos com pouca quantidade de droga. Em junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a prática não pode ser classificada como hedionda. Como é uma medida que beneficia os detentos, ela poderá retroagir e presos provisórios poderão requerer a arbitragem da fiança, o que teria influência sobre a quantidade total de detentos do País. O ministério já anunciou que pretende também requerer a mudança na forma que ocorre a progressão de regime atualmente. Se o crime cometido não for hediondo, o detento poderá passar do regime fechado ao semiaberto, por exemplo, depois de ter cumprido a pena. A pasta quer mudar essa proporção para a metade. “O homicida, o latrocida, aquele que pratica o crime com violência esse deve ser preso, mas não é razoável que fique só 1/6 da pena. Aquele que tem um quadrilha, usa fuzil, explode caixa eletrônico, é condenado a cinco anos e quatro meses, e com 11 meses está na rua. Uma das nossas propostas é que para os crimes mais graves, haja possibilidade de progressão, mas com metade da pena”, disse Moraes.








