Os candidatos e suas máquinas

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Tem razão a senadora Lídice da Mata (PSB) quando admite que está envolvida numa disputa em que sobressai o duelo de máquinas poderosíssimas, o que torna suas chances de vitória à sucessão estadual difíceis, embora não impossíveis, em sua própria avaliação. Lídice, que no momento não conta com a ajuda de máquina alguma, já que a representada por seu partido e a candidatura presidencial dele, encabeçada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), são diminutas, sabe do que está falando, como também sabem a classe política e o eleitorado mais atento ao jogo eleitoral.

Na verdade, a senadora se refere ao poderio representado pelo governo do Estado e a Prefeitura de Salvador, que escolheram seus candidatos e trabalham abertamente por eles, tornando o jogo de adversidades mais duro – para não dizer dificílimo de ser superado – por quem não tem o mesmo tipo de suporte e, no caso de Lídice, envolveu-se num embate em que não se descortina no horizonte, de forma concreta, a expectativa concreta de uma terceira via, que ela poderia muito bem representar, mas deve se resumir a uma espécie de plebiscito entre a manutenção ou a substituição do PT no comando do governo estadual.

Por ele, já começaram a duelar predominantemente, embora os números das pesquisas ainda não o demonstrem, o deputado federal petista Rui Costa, com o apoio explícito e coordenado do governador Jaques Wagner (PT), portanto, da máquina estadual, e o democrata Paulo Souto, ex-governador e remanescente do carlismo – hoje devidamente atualizado aos tempos de ausência do fundador Antonio Carlos Magalhães –, que conta com a cooperação determinada do prefeito de Salvador, ACM Neto, isto é, da máquina municipal, a qual precisa trabalhar à potência máxima no sentido de tentar se equiparar ao poderio do governo do Estado.

Máquinas, naturalmente, não produzem milagres, mas, bem operadas, atenuam os dissabores de candidaturas que, em condições naturais, correriam o risco de se inviabilizar na largada ou não conseguiriam sustentar o fôlego depois dela. Para funcionar, precisam estar azeitadas, em geral, por bons índices de avaliação de suas gestões, embora, sob quaisquer condições, se mostrem pródigas na capacidade de captar recursos e arregimentar a militância paga, o que torna sua presença, lamentavelmente, distante de qualquer ideal democrático. Mas, como disse a senadora, são elas que vão dar as cartas nestas eleições.

CPI da CPI

Só mesmo os maus congressistas com sua inconfundível capacidade de desmoralizar qualquer instituição, auxiliados por um governo que não dá a mínima para elas, poderiam sepultar o instituto da CPI como mecanismo parlamentar legítimo de investigação, a exemplo do que fizeram com a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, como mostra a edição de Veja desta semana. A antecipação deslavada de perguntas a depoentes e a manipulação na condução dos trabalhos é a evidência de que o grau de sujeira nas transações da estatal é profundo e, exatamente por isso, merece atenção e investigações redobradas por parte de instâncias sobre as quais o governo não possa exercitar seu domínio.

Raul Monteiro

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