Quando éramos reis: CBF inaugura Museu da Seleção Brasileira

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Rivaldo lança Garrincha. Garrincha dribla dois e deixa para Cafu. Cafu toca para Tostão. Tostão recua para Didi. Didi vira para Bebeto. Bebeto cruza para Pelé — e é gol do Brasil! Os craques desfilam reunidos numa jogada redentora, que mistura imagens em preto e branco, coloridas e em HD, homenagem definitiva à arte do futebol. A ficção reúne astros de várias gerações, numa viagem impossível na vida real — mas resistir, quem há de? Está lá, como pontapé inicial da visita ao Museu da Seleção Brasileira, inaugurado nesta quinta na sede da CBF. Um programa imperdível para quem ama o jogo — além de um bálsamo à alma nacional, ainda machucada pelos sete gols da Alemanha no fiasco da Copa em casa. Caberia à perfeição no título de um documentário incrível sobre boxe, “Quando éramos reis”. De qualquer jeito, a “experiência” no museu vale demais a pena, por permitir o mergulho numa história estrelada, de artistas espetaculares, arquitetos do maior traço da identidade brasileira. A centenária história do (ainda) mais famoso time de futebol da Terra desfila inteira — com os fracassos incluídos —, numa jornada que, completa, consome perto de três horas, mas faz valer cada minuto.A casa conjuga relíquias, como camisas de craques campeões do mundo (está lá, aliás, a de Ronaldo Fenômeno, em 2002, que evoca em 100% dos visitantes a pergunta “como ele um dia coube em algo tão pequeno?”) e as réplicas dos cinco troféus ganhos na Copa do Mundo, com um show de interatividade em telas que se movem ao toque dos dedos. Por elas, dá para assistir às imagens de golaços inesquecíveis e derrotas dramáticas — inclusive a mais dramáticas de todas, a da Copa de 1950, para o Uruguai de Gigghia no Maracanã recém-construído. O nascimento da grife chamada seleção canarinho, na conquista da Copa de 1958, na Suécia, traz a grande preciosidade revelada pelo museu: imagens coloridas da final, feitas por um cineasta amador, da arquibancada do Estádio Rassunda, em Estocolmo. É apenas um dos pontos altos da visita, que enfileira, em etapas, as origens do futebol brasileiro (os primeiros passos e a evolução da seleção); uma lenda centenária (detalhes de todos os jogos da equipe); a galáxia de troféus (taças conquistadas neste século de bola); reis do mundo (as vitórias nas Copas); e “nós somos canarinhos”, área destinada à participação da torcida. Na última parte, um vídeo impressionante, assistido por um óculos 3D, permite aos visitantes literalmente entrar em campo com a seleção. A partir de imagens do amistoso Brasil 5 x 0 África do Sul (em março último, homenagem a Nelson Mandela), os espectadores vão junto, do vestiário ao campo, na “companhia” dos jogadores. O Museu da Seleção Brasileira — que, como nada é perfeito, se chama oficialmente “CBF Experience” — foi criado pela MediaPro Exhibitions, empresa responsável por casas semelhantes em clubes como Real Madrid e Barcelona. Sua diretora, Clara Russo, informou que vem aí uma atualização com a Copa de 2014, ainda fora do acervo. Estarão lá as delícias do Mundial brazuca — e as dores também, em especial o histórico 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão. – Estamos aqui para contar a História, com as vitórias e as derrotas – garantiu ela. Assim, a visita ao espetacular museu ficará ainda mais longa, com a inesquecível montanha de gols que entrará para o acervo. (Oglobo)

SERVIÇO:

  1. Endereço: Avenida Luis Carlos Prestes, 130
  2. Barra da Tijuca – Rio
  3. (21) 3572-1963
  4. O museu abre todos os dias, das 9h às 17h – o acesso é permitido somente até às 16h30m.
  5. Os ingressos custam R$ 22, com meia-entrada, para estudantes e idosos, a R$ 12.
  6. Crianças menores de 7 anos, professores da rede pública e pessoas com necessidades especiais (com direito a um acompanhante) entram de graça.
  7. Escolas: R$ 3 por pessoa, com entrada gratuita para o professor.

 

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